Adelaide Amorim

Texto e Contexto



adopt your own virtual pet!

a teia é
fio a fio
condição de aranha e
laço do extravio

raiada em rumos
em si emaranhada e
expansiva
a seda contra os vôos
a teia é
por si mesma
aranha viva

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 Links & Sites

stripe.gif stripe.gif selinho_idelba.jpg stripe.gif stripe.gif O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil

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julho 02, 2008

2 de julho

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Um fato para gravar na memória, uma data histórica: as Farc libertam Ingrid Betancourt mais 14 reféns.
Quem desejava que isso acontecesse vibrou com a notícia. Ainda mais porque havia bons motivos para temer que a operação de resgate não desse certo, o que equivaleria talvez à possibilidade de uma guerra entre vizinhos muito próximos do Brasil. Mas tudo correu pianinho, ou quase isso: membros das Farc cercados, praticamente à mercê dos militares colombianos, ficaram lá, intactos, e deixaram sair a refém mais importante entre as centenas em seu poder.
Depois da morte recente de dois chefes guerrilheiros, é fácil interpretar esse episódio da libertação de reféns, incluindo Ingrid, como sintoma do enfraquecimento do grupo - o que a própria Ingrid deixou transparecer em mais de uma de suas respostas (cuidadosas) aos jornalistas.

Outra questão que parece reforçada é a que diz respeito a Uribe: o homem cresceu em importância histórica e popularidade entre seu povo. Fica a dúvida: o que será que ele visa com essa bela façanha? Será decepcionante descobrir que tudo que ele visava era um terceiro mandato, que abriria um precedente bem negativo na América Latina, já chegada a uma ditadura. Tomara que não fique só nisso, e que Uribe se revele um estadista acima de nossas suspeitas.

Mas por enquanto vamos nos concentrar na festa dessa libertação tão esperada e que é de todos que acreditamos que, com todos os defeitos, a democracia ainda é a melhor opção.

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Para assistir às mesas da Flip:

http://flip.oi.com.br/



junho 24, 2008

Palavras de mestre

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"A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original."

"A imaginação é muito mais importante que o conhecimento."

"Um raciocínio lógico leva você de A a B. Imaginação leva você a qualquer
lugar que você quiser."

____________________________________________Albert Einstein


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Presente de minha amiga Carol Timm!
Obrigada, viiu, Carol?




junho 21, 2008

Ana Angélica

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Fala de tanta coisa ao mesmo tempo que no fim não sobra nada.
Ana Angélica, um nome assim tipo arrebatador. Não que ela faça o gênero – um pouco tosquinha, simpática e boa pessoa. Impossível é seguir o fio de seus pensamentos ou manter uma conversa coerente que dure mais de três minutos. O pensamento de Ana Angélica é como um tobogã transparente por onde deslizam incontáveis pedaços de assunto, nomes que não se sabe de onde vêm, lembranças e sensações mal definidas, misturadas como meadas de várias cores. Ana Angélica não conta uma história, conta várias ao mesmo tempo, e no fim é preciso fazer múltipla escolha entre os trechos de enredo e os finais. Por qualquer motivo ela ri, ri muito, o que torna suas falas uma colagem de palavras incompletas mas coloridas.
Não, não é doida nem passa perto disso. É alegre e adora se divertir. Ninguém a encontra em casa nas noites de sexta ou a qualquer hora nos sábados, sendo que aos domingos vai à missa – diz que se faltar à missa alguma coisa muito ruim sempre acontece durante a semana – e dali parte para a praia se não chover. Depois almoça um churrasco em casa de amigos ou amigos de amigos, toma todas que aparecerem e vai dormir cedo porque segunda é dia de voltar ao posto de recepcionista de uma clínica de estética na Barra.
Tem um círculo de amizades surpreendentemente grande, variado e flutuante. Tem orkut, adora sexo na internet e faz questão de espalhar suas fotos em todos os sites de relacionamento. Já fez dois abortos, porque diz que só quer filhos depois dos trinta e cinco e ainda tem vinte e oito. Fica, namora, sai sempre com alguém, faz qualquer coisa para não ficar sozinha, mas nunca demora mais de quinze dias com o mesmo cara.
Acredito que isso acontece porque uma vez passou uns meses com um sujeito que a trocou por outra e fez de seu coração risonho uma gruta escura. Caiu em depressão, parou de comer, quase morreu sozinha em seu canto. Os amigos a salvaram do desespero, mas depois do luto pelo amor falecido, voltou à rotina de variedades que a mantém sempre com o olhar brilhando e os dentes bonitos de fora.
Ana Angélica não quer servir de exemplo pra ninguém. Não se responsabiliza, e como tem o coração fácil de derreter, chora com facilidade, mas logo se distrai e esquece. Vive cada momento, não pensa no futuro nem pára em lugar nenhum do passado. Alguém já disse que ela é como espuma, sempre efervescente e renovada. Ana Angélica se especializou em esquecer.

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Continhos no Contando por alto,

um blog sem comentários.



junho 18, 2008

A vida quer mais

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René Magritte.

Não é bastante ter boa educação. É preciso mais, tentar entender a si e aos outros, e por causa disso viver melhor. Sem isso a vida fica muito difícil (já é o bastante).
Acho que ser feliz depende de saber acolher mas também de saber ser acolhido. Um grande mal – que não é de hoje, mas está atingindo uma tensão insuportável – é uma intolerância que nasce exatamente de não entender, não saber e não querer se identificar com algum traço do outro, recusar a troca, o convívio, a palavra do outro.
Não vem daí a raiz e todas as guerras?
E além da simples convivência social ou de trabalho, é preciso dar uma chance à alegria da amizade e ao amor. Sem abertura para entender, ouvir e conhecer melhor os outros, perdemos boas oportunidades de encontrar pessoas que seriam verdadeiramente especiais para nossa vida; e sem encontros de amor e amizade, acontece o que dizia Jorge de Lima:

"e não tereis vivido
e não tereis amado,
porém sereis morrido."

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Lord Broken Pottery lança Sobre o telhado das árvores no dia 28 deste mês. Muito sucesso pra ele!
O endereço dele na internet é http://www.broken-pottery.blogspot.com/ (o MT continua negando os ícones de linkagem e formatação, que coisa!)
Vale a pena provar o texto bom de ler e cheio de charme do querido Lord Caco.

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junho 15, 2008

Coisas que eu queria ter escrito


"Uma palavra há de ser poética desde que você a coloque em lugar imprevisto, desde que ela dê alarme, desde que ela quebre o muro da velha ordem. É preciso sempre escrever a primeira vez de uma frase. Se possível botar roupa rasgada nas idéias. Toda frase que se faz é preciso gozar nela. E é preciso fazer o serviço com paciência para que o gozo dê frutos."
Manoel de Barros


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junho 10, 2008

Agatha, 21

O texto a seguir é trecho de mensagem de uma afilhada, que viveu um ano na Alemanha, por conta de um programa de intercâmbio, e agora está no Canadá, trabalhando e cursando Relações Internacionais. Alguma dia vou contar pra vocês a história dessa menina bacana.
O que me chamou a atenção foi o otimismo em relação ao Brasil, otimismo que anda abandonando o povo aqui da terrinha. Fico me perguntando se isso será um traço dos brasileiros mais jovens – tomara que sim. Porque o primeiro passo para mudar as coisas é acreditar que elas podem mudar, e isso compete basicamente aos jovens.
A mensagem é parte de um diálogo com um de meus filhos a respeito da prisão do sargento gay, semana passada.

“Preconceito é normal, todo mundo tem (mas deviam trabalhar e evitar). O que não é normal é oprimir o outro. E eu vejo que no Brasil as minorias são bem oprimidas. Pobre, preto e gay no Brasil parece que pediram pra ser maltratados no vale do eco.
Uma coisa que eu acho que brasileiro não percebe - porque nunca teve - é que nós merecemos muito mais. Num país onde educação é um "luxo", não tem como o povo entender que existem coisas além disso que nós merecemos também. A gente acha "normal" político corrupto, claro, pois desde o início só lidamos com corrupção. É difícil imaginar outra realidade. Mais difícil é lutar por ela.
Eu acho que ter um passado de escravidão pesa muito nessa história. Os brasileiros ainda acham que são produtores de faxineira e prostituta. Que tem que trabalhar feito escravos por um salário ridículo que não adianta pra pagar a escola - que deveria ser de graça e boa. Maltratado e enganado pelos outros, mas tem medo de ir à polícia... E tem medo da polícia!!!
Eu concordo que somos passivos e intimidados. Nunca tivemos nenhum programa de desenvolvimento e integração social. E a economia sempre foi essa porcaria instável.
Enquanto a Europa é velha, o Brasil parece um bebezinho, girino ainda... Muitos anos, que poderiam ter sido de desenvolvimento e glória, foram desperdiçados com guerra, ditadura e coisas assim. Mas ainda há tempo! Esse ‘pedacinho de terra’ de podre não tem nada. Tem muita coisa pra oferecer ainda.
E eu acho que nós somos cordiais sim.
Se tivesse pirão pra todo mundo, ninguém estaria pisando no outro por um pouquinho de farinha...”

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Contando por alto, um blog sem comentários, tá cheio de historinhas, textos curtos para quem gosta.
O bem, o mal e a coluna do meio está atualizado.
E Inscrições tem poemas novos.



junho 05, 2008

Alice

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Ennio Pozzi. Mulher cosendo.

A paz do lugar para onde mudara induzia a refletir. Nunca se cansava de acompanhar os vôos dos pássaros e a dança dos galhos e folhas, que lhe pareciam meio mágicos. Na verdade era uma atração desproporcional à singeleza dos acontecimentos. Mas o que mais atiçava sua imaginação era mesmo a vizinhança, famílias que pareciam ter uma vida rotineira, mas de vez em quando davam indícios de que, por trás de tanto sossego, talvez os acontecimentos não fossem tão pacatos quanto o dia-a-dia do lugar.
O filho do senhor do terceiro andar do pequeno prédio vizinho, por exemplo, aparecia de vez em quando, sempre muito tarde da noite, acompanhado de uma mulher muito esbelta, cuja silhueta dava impressão de ser bem mais jovem que ele. Alice, sua própria mulher, classificou laconicamente a moça de “perua engomada”. Curiosamente, o rapaz barbudo e sua acompanhante não entravam no apartamento do pai dele, e sim no apartamento de baixo, ainda vago. O casal entrava discretamente, com muito cuidado para não se deixar ver, e saía horas mais tarde, às vezes pouco antes do amanhecer.
Com sua insônia habitual e uma varanda de vista estratégica, ele acompanhava os movimentos dos dois sem ser visto. Deduziu que na certa o filho do vizinho estava tendo um caso com a moça e não desejava aproximá-la do velho.
— Só não entendo – comentou certa vez com Alice –, é por que não vão a um hotel do Rio, onde moram, em vez de vir para tão longe.
Ela fez sua expressão mais marota.
— Ora, ora, você está mesmo ficando fora de forma – disse. Não te passa pela cabeça que aqui é o lugar onde mora o pai dele, e por isso ele tem um álibi perfeito para ficar indo e vindo a esse lugar? Ninguém pode estranhar, nem mesmo a mulher dele...
Olhou-a com muda admiração. E enquanto a olhava, lembrou muito nitidamente dos anos em que ela visitara a mãe em Arraial do Cabo com admirável assiduidade, chegando às vezes a passar dias em sua companhia, enquanto ele ralava na empresa de transportes que havia herdado do pai. Uma pergunta chegou até seus lábios, mas achou melhor não a articular, e preferiu mudar de assunto.



junho 02, 2008

Amarelo-kibon

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Hoje lembrei meu primeiro carro – que a gente nunca esquece, principalmente se for um fusca amarelo!
Quando comecei a trabalhar, voltava de ônibus, na hora do rush. Às vezes chegava em casa com o sapato sujo e o pé doendo das pisadas, e duas vezes aconteceu de desembarcar deixando um botão da blusa pra trás. Era uma refrega diária, mais cansativa do que o trabalho na editora, que era bem mais tranqüilo.
Vocês perguntarão por que não esticava numa happy hour e deixava passar o corre-corre. Acontece que tinha um trato com minha ajudante, mãe interina de minhas crianças até as sete horas, quando ela mesma assumia suas funções de mãe de verdade dos filhos lá dela.
Daí que ganhei o inesquecível fusca amarelo-kibon. Tínhamos um inefável passat branco, um pouco idoso mas ainda muito atuante, que às sete da manhã transportava meu marido que, sempre que os horários coincidiam, me levava com ele. Depois da chegada do fusca, porém, a vida ficou mais fácil.
Também não posso esquecer o sucessor – outro fusca, esse laranja conlurb, tinindo de bonito. Depois dele vieram dois chevettes branquinhos e dois voyages, muito mais confortáveis e bonitos, o último dos quais roubado na 19 de fevereiro, em Botafogo, em frente ao estúdio onde meu filho, já com 18 anos, ensaiava sua banda de rock.
A história automotiva da família passou por várias marcas e tipos, maiores à medida que a prole aumentava e as férias exigiam mais espaço na mala.
Hoje fiquei emocionada, vendo uma moça loura dirigindo um fusca amarelo-kibon, e desejei que aquela peça de museu desse muita sorte pra ela também.



maio 30, 2008

Reflexões que valem a pena

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Foto Antonio Paim.

"Gostaria que todo amor durasse para sempre. Mesmo transformado, mesmo longe, mesmo arranhado. É curioso oferecer amor. Um dia, daqui a muito ou pouco tempo, pode ser que os amados não estejam por perto. Nem longe, nem em lugar algum. E o amor fica lá. Vivo, mas condensado a uma embalagenzinha que o deixa com braços e pernas de fora. É teimoso, mas só cresce onde recebe espaço. O amor gosta de se esticar e tomar conta de tudo, mas não tente desmerecê-lo porque ele também sabe ignorar."

da Bia Pontes
do blog Mi casa, su casa
http://miysu.blogspot.com/

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maio 26, 2008

Antes de partir

Marco Santos, do Antigas Ternuras (e eu sem ícone de linkagem - hello Movable Type!), http://antigasternuras.blogspot.com/ nosso querido autor do Popularíssimo, encantado com o ótimo Antes de partir, de Carl Reiner, com Jack Nicholson e Morgan Freeman, em cartaz aqui no Rio, respondeu e distribuiu um questionário sobre oito coisas que alguns de seus amigos gostariam de fazer antes de partir.
Confesso que nunca penso muito nisso. Não porque me julgue dona do posto, mas porque sou meio desligada mesmo.
Pensar na própria partida é um bom exercício de reflexão; à medida que se pensa em ir se pensa também no que se anda fazendo por aqui, o que pode ser muito útil para usar melhor o tempo, que não pára, como já dizia Cazuza. E sempre há planos não realizados ou mal realizados, coisas a melhorar, pessoas a curtir mais. Sempre há amores precisando correção de rumo.
Então, Marco, vou aproveitar a chance que você me dá. E obrigada, viu?

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* Ver os filhos realizados afetiva e profissionalmente, felizes e reconhecidos.
* Ser não for pedir muito, os netos também.
* Editar os livros que hibernam na gaveta e outros que ainda nem chegaram lá.
* Expor e vender quadros meus (até agora só tive encomendas não-comerciais, da família e de amigos. Humpf!), mas tenho uma certa preguiça quando penso nos trâmites necessários.
* Reencontrar alguns amigos que perdi de vista e de quem sinto muita falta.
* Voltar à alfabetização de adultos, de que me ocupei alguns anos no passado. É muito gratificante e ajuda as pessoas além do que se possa imaginar.
* Escrever e editar ao menos um livro de poemas.
* Assistir aos filmes que desejei e não consegui ver no circuito convencional.

Se você gostar da idéia, responda também.

Primeira Fonte está de volta!

Meninos e meninas, habemus Primeira Fonte outra vez!
Se você já conhecia, sabe que vale a pena. Se não, aproveite e se chegue.
Parabéns a Ana Laura e Esther, primeiro porque elas merecem por serem quem são. Segundo porque acho que o entusiasmo e a persistência fazem parte das qualidades que movem o mundo, e elas as possuem em dose acima da média.
E terceiro porque o Fonte é uma página de gente boa (sem falsa modéstia, tou lá também) e uma boa opção de leitura.
Nos encontramos lá, então.
Endereço: http://www.primeirafonte.com/site/index.php?pg=inicial



maio 22, 2008

Momentos

Vi Maira Parula uma única vez, no lançamento do Blog de Papel há alguns anos. E há muito mais tempo sou sua leitora no ótimo Prosa Caótica. Acho que Maira nem precisa de apresentações, mas quis reeditar a impressão que Não feche seus olhos esta noite me deixou, nesse texto já publicado no Primeira Fonte. Primeiro porque sou fã dessa moça não é de hoje, e segundo para dar seqüência às resenhas sobre autores blogueiros, que começaram com o livro de poemas de Dora Vilela.

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Maira Parula. Não feche seus olhos esta noite. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.

“Entre o susto e a coragem”, como diz José Castello no texto de apresentação, cada página desse livro empurra o leitor e o espicaça para a página seguinte. Descontínuo e inusitado, cada texto desperta uma curiosidade nova. É preciso saber onde vai dar aquilo. Logo porém se percebe que cada item é um beco. No máximo pode se aventar a hipótese de que se comuniquem subterraneamente, como subterrâneo parece ser o rumor da iminência que sustenta os textos sem os detonar.
Posto esse primeiro resultado da leitura, é preciso levar em conta que todo primeiro resultado é provisório e generalizante. E é impossível nivelar os textos de Não feche seus olhos esta noite sem cometer uma tremenda injustiça. Não estou pensando em diferenças de qualidade que destaquem uns ou outros, mas na particularidade que se inscreve em cada um deles.
Há que voltar sobre os calcanhares e olhar de novo, sem se deixar levar pela novidade. Maira domina a escrita e tira dela o melhor partido para seus objetivos, entre os quais o de expor seu desconcerto diante do mundo e das pessoas. Cria para isso um clima às vezes um tanto delirante, às vezes assustador, onde o leitor se sente à vontade para reconhecer e saudar, quem sabe, suas próprias obsessões com um sorriso autoindulgente. Mas o cheiro de universalidade, que se acentua em certas passagens, deixa entrever alguma instância obscura, como o próprio inconsciente.
Castello diz, a certa altura, que o texto de Maira “nem poesia é”. Mas na retomada de suas páginas, percebe-se que uma poesia meio nocauteada, suja e perplexa, mas nem por isso derrotada, vem à tona de vez em quando. Não necessariamente nos textos dispostos em versos, um lirismo de olho roxo manifesta sua presença e se confirma aqui e ali com menos ou mais intensidade. Na página 9, logo após a epígrafe, num texto versificado, grita uma angústia intensa que explode em silencioso desespero, pondo em cena a magnum que pontua outros momentos do livro. A 97 abre com um poema à la Artaud; a 99 traz o que talvez seja o texto em versos mais lírico entre todos, com um jeitinho de Sylvia Plath. Na 165, um poeminha expressionista com pedigree.
Há textos de nonsense e pitadas de besteirol; contos com pé e cabeça, um humor gostoso de ler, trechos que parecem depoimentos dados num divã de analista. Há também sinais de erudição tratados com elegante displicência; sintomas de síndrome do pânico e um poema florido de Cesário Verde.
Uma coisa é certa: Maira Parula não dá pra ler início meio e fim. É tudo ou nada.
Por mim, prefiro tudo.




maio 19, 2008

Quiz da Carol

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Imagem Juliana Moraes.

Minha querida Carol Timm propõe, e como aqui a Carol manda, lá vai:

Um nome: o dele
Uma palavra: a melhor de ouvir
Um sentimento: amor
Um verbo: ser
Um gesto: abraço
Um 1º lugar: o que chega antes do segundo
Uma cor: a que pode mudar
Um objeto: o que traz uma forma de alegria
Um dia: o do grande encontro
Um mês: maio e sua luz
Um ano: este
Uma letra: m, de onde vieram todas as outras
Uma estação: outono
Uma flor: a que se recebe de quem importa
Uma fruta: madura e doce
Uma matéria: filosofia
Um passatempo: pintar
Um esporte: caminhar
Um herói: meu marido
Um exemplo: minha mãe
Um filme: Terra Estrangeira, de Walter Salles
Uma música: Prelúdio à Tarde do Fauno, de Debussy
Um programa de TV: Saia Justa
Um time: Fluminense
Uma mania: escrever
Uma profissão: escritor
Um sonho: um mundo melhor para meus descendentes
Uma coisa importante: superar-se
Uma sorte: nascer numa família bem estruturada, ter tido bons encontros na vida
Um medo: o que se prepara para as novas gerações
Um amor: dos maiores já falei; uma conseqüência deles, minha casa
Um perfume: Calycantho, de Adams
Adoro: crianças, gente de bom coração, gente competente, bons textos, bons filmes, bom teatro, boas conversas, bons vinhos, boa música, comida gostosa, silêncio, ficar sozinha de vez em quando
Odeio: perder tempo
Amigos: os que nunca mais se esquecem
Um lugar: “meu lugar é onde” (Vinícius)
Um cheiro: de chuva
Um horário: “meu tempo é quando” (idem)
Um sorvete: milho verde
Um ciúme: meus livros
Uma cidade: Antonina
Uma dor: ver o mundo se acabar pela ganância e pela intolerância
Uma saudade: de meus pais, da infância, dos amigos que se foram
Um hobby: visitar sebos
Uma peça de roupa: a que cai bem
É indispensável: acreditar no que se faz
Um website: meus links do blog
Um gosto: decorar e cuidar da casa, escolher peças e plantas
Um defeito: reserva
Uma qualidade: lealdade
Uma comida: em boa companhia, feita na hora por gente que sabe
Um doce: pudim de aipim com coco feito por mão de mestre
Uma lanchonete: a Shaika, em outros tempos; a Cafeína!; qualquer uma com bons sucos naturais
Um restaurante: Esquilos
Uma frase: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena” (Fernando Pessoa)

Quem achar boa a idéia, pode responder e avise pra gente ver as respostas.

Beijão, Carol!



maio 15, 2008

Amigos, amigos, conversas à parte

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Não cheguei a conhecer pessoalmente Paulo Alberto Monteiro de Barros, ou Artur da Távola, como ficou mais conhecido. Meu marido viajou algumas vezes com ele, e conta que sua presença confirmava a excelente impressão que sempre tivemos da imagem do político, ótimo cronista, entendido de música e homem de cultura. De boa conversa, era simples, fino e sem pose nenhuma. Em nossa sociedade fixada na celebridade e na fama, não é pouca coisa. Mas não é tudo.

Leio as homenagens de escritores, pensadores, gente da sociedade, colunistas e pessoas que conviveram com ele; mesmo de longe, percebo a dor da família e dos amigos mais próximos. Tudo confirma a simpatia que sentia por ele há décadas, lendo suas crônicas nos jornais que meu pai assinava, e que foi se confirmando por sua atuação como parlamentar, senador, presidente de partido e, por fim, afastado da política (o que, em certos casos, costuma ser manifestação de integridade). Acompanhamos seu percurso na TV Senado, com um dos melhores, talvez o melhor, programas de música erudita que ele conduzia de modo didático sem ser chato, sensibilizando os ouvidos ainda “duros” e explorando os recursos dos bons vídeos escolhidos, mostrando particularidades dos instrumentos, dos regentes e das partituras.

Havia uma forma de amor nas coisas que vi Paulo Alberto fazer na vida, uma vida mais rica do que a da maioria dos homens públicos que conhecemos. Deixou o sentimento de termos perdido um grande amigo, alguém por quem tive uma enorme estima, embora nunca tivéssemos trocado nem duas palavras. Artur da Távola nos deixou uma sensação tão boa que é quase um presente.

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Coisas que a vida ensina depois dos 40

Amor não se implora, não se pede não se espera...
Amor se vive ou não.
Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você.
Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus para
mostrar ao homem o que é fidelidade.
Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros.
Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.
Água é um santo remédio.
Deus inventou o choro para o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso.
Não existe comida ruim, existe comida mal temperada.
A criatividade caminha junto com a falta de grana.
Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
Amigos de verdade nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma contra o ódio.
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
Há poesia em toda a criação divina.
Deus é o maior poeta de todos os tempos.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças a cerca de suas ações.
Obrigada, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que
abrem portas para uma vida melhor
O amor... Ah, o amor...
O amor quebra barreiras, une facções,
destrói preconceitos,
cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
E vive a vida mais alegremente...

Artur da Távola